segunda-feira, 17 de junho de 2013

CRÔNICAS DO LIRISMO IMEDIATO 3: MEU CASO COM OS LIVROS 2: CANTO BRASILEIRO, PAULO SERGIO PINHEIRO * ANTONIO CABRAL FILHO

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Há algum tempo eu trabalhava numa livraria e notei que um cliente entrava, andava a loja toda, não falava com ninguém e, de repente, sumia. Seu comportamento mexeu comigo e passei a observá-lo a partir daí. Todo dia, ele entrava na livraria, circulava e desaparecia. Saía repentinamente. Confesso que passei a "escoltá-lo", como diz a gíria policial. Após algum tempo notei que ele estava "marcando" os livros que queria. Até aí, "no problem!" Mas um dia eu o flagrei: Num movimento brusco, ele pôs o livro Conceitos Elementares do Materialismo Histórico, de Martha Harnecker, embaixo da jaqueta us-top bordada com Jimi Hendrix de roqueiro e evaporou!
Confesso, também, que odeio ladrões, e me prometi "amassar o cano" dele ou "escrachá-lo", como diz o Vagner Montes. Dito e feito, no dia seguinte, mesma hora, mesma jaqueta, mesma rapidez, pegou o livro Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro, meteu embaixo da jaqueta e partiu em direção à porta, mas a arapuca estava armada: Eu, Niltim e Fabrízio emparedamos na saída; quando ele notou, era tarde. Pedi-lhe o livro e perguntei se queria apanhar ali mesmo ou lá no depósito; ele rodou nos calcanhares, pôs o livro sobre o balcão e perguntou:"Quê livro?!" e expliquei-lhe que se voltasse à livraria, iria entrar no cacete lá no depósito.
Passaram-se vários dias sem que ele aparecesse; então concluí que tinha funcionado meu esquema. Como gosto muito de artesanato, sempre ia passear na Feira da Praça General Osório, em Ipanema, na hora do almoço, gosto de escolher minhas peças bem detalhadamente e com o devido cuidado, para não ter dissabores a posteriori. Por isso, demorava muito tanto na feira como nas barracas onde parava. E foi num momento assim que visualizei uma lona estirada no chão cheia de livros, tendo ao lado, sentado numa cadeira de vime, nada mais nada menos, que aquele "nobre ladrão".
Aproximei-me bem devagar, na verdade para que ele notasse a minha presença. Ele é branco, magro, alto, usa cabelo estilo Robin Hood, e se levantou dizendo "assim não vale!", "Calma", respondi-lhe, "Eu só quero os que você roubou lá no meu trabalho." Aí ele rodou nos calcanhares do mesmo jeito que fizera lá na loja e eu não agüentei e caí na gargalhada, exclamando "Como você é ridículo, rouba de um lado da rua e vai vender no outro!" Mas aí vi o livro CANTO BRASILEIRO, do Paulo Sérgio Pinheiro, e perguntei-lhe aonde roubara este livro; "Como eu vou saber..." "Então eu vou levá-lo por pagamento dos que você já roubou na loja!" Peguei o livro e fui. 
Daí em diante, voltei mais assiduamente à feira, e passei a não hostilizá-lo mais, e em compensação ele não roubou mais lá onde eu trabalhava, tornei-me seu "cliente", e, passadas algumas décadas, lhe perguntei: J, você ainda rouba livros? "P... Cabral!"...
Hoje ele é um conceituado professor de história com diversos livros editados na área e, acima de tudo, meu amigo. Eis acima o livro que eu expropriei dele.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

CRÔNICAS DO LIRISMO IMEDIATO: 3 - MEU CASO COM OS LIVROS 1: OS LUZÍADAS * ANTONIO CABRAL FILHO


MEU CASO COM OS LUZÍADAS...

Desde criança que o mundo dos livros me fascina, e, a tal ponto que sinto quase DORES quando tenho que desfazer-me de um.
Isso ficou marcado na minha alma ao concluir o primário, quando meu pai, que eu amo tanto, pegou meus livros e cadernos, entre eles um abarrotado de trovas, cartas de amor, poemas e letras religiosas e pôs na fogueira da festa junina da nossa família, com o argumento de que eu já sabia ler, escrever e dominava as quatro operações: Somar, dividir, multiplicar e diminuir.
Jurei, cá com meus botões, vingar-me dele, mas não esperava que isso fosse assim tão profundo, a ponto de tornar-me escritor.
Logo depois que saí de casa, em maio de 68, e cheguei ao Rio, dei de cara com a dureza da realidade: Eu não sabia nenhum ofício para ser útil na cidade, a não ser ficar atrás de um balcãozinho, atendendo aos "fregueis", vendendo pinga, fumo de rolo, "fosfo", pondo gás em isqueiros e escutando conversa para boi dormir. Mas fui salvo por meu Tio Sebastião Cabral, que levou-me para o mundo da construção civil, onde eu me virei rápido; veio o serviço militar e depois eu dei meu jeito, no qual estou até agora.
Mas posso notar que o livro marca presença em mim: Em 1974 eu trabalhava numa livraria, mais para ter acesso a livros e continuar meus estudos rumo à faculdade, devido ao arrocho salarial da ditadura, do que qualquer outra razão, e, nas horas vagas eu ficava lendo pelos cantos.
Certa vez, encontrei uma edição d'OS LUZÍADAS de dar água na boca! Tanto pela impressão caprichosa quanto pelo volume de informações a cerca da obra e do autor. Confesso que grudei no livro, a ponto de o gerente Sr Abel, repreender-me dizendo que eu estava "amassando" o livro. 
Só que um cliente assíduo da loja, num momento desses, se aproximou de mim e perguntou o que eu estava lendo e quando lhe mostrei, ele inquiriu-me:"Quer ficar com ele?" e expliquei-lhe que ELE custava mais que meu salário."Não seja por isso!", replicou e pegou o livro, foi até ao caixa, pagou-o, mandou embrulhar para presente e entregou em minhas mãos. Era Páscoa de 1974, vejam a dedicatória:
*&*

quarta-feira, 5 de junho de 2013

CRÔNICAS DO LIRISMO IMEDIATO * 2: TODA INSENSATEZ SERÁ CASTIGADA * ANTONIO CABRAL FILHO

(Foto:avla)
Tá, eu sei que no outono as folhas caem, as árvores ficam peladinhas, nuas com todo seu pudor exposto, o frio castigando a pele frágil, com toda a indiferença do quentão nos lábios da cabocla, ansiosoa por um beijo.
Mas nem precisa tanto nem carece ser assim, pegando-nos de súbito, com tamanha insensatez.
Acontece é que, além disso tudo, venho sofrendo reveses estupefacientes. Entre tantos, enumero aqui um que tem me tirado o sono: Um amigo anda desiludido com o nosso ofício. É que ele tem dedicado enormes esforços em prol das artes, e que por não obter o resultado almejado, simplesmente, cai em crise. Resolveu abandonar cargos em entidades culturais e até distribuiu circulares comunicando suas decisões. Mas droga! Ele é músico, cantor, compositor, videomaker, dirigente cultural experimentado, apesar da pouca idade, e escritor dos mais conceituados nas terras de Lobato, tem duas faculdades e um punhado de cursos, já ganhou concursos literários de peso internacional e é editado de ponta a ponta nesta terra de "Benvirá". Aqui pra nós: O que ele quer mais?
Mas o pior é que nesse bojo veio de quebra o encerramento do blog caeseubt e a desintegração de pelo menos duas entidades culturais.
Bom, não vou dedurar aqui o meu "compa". Crises são crises. Algumas vivem enquanto tais, outras tornam-se decisões irreversíveis. Mas o que vem causar-me calafrios é que nesta época de vacas-magras culturais que assola o país, o pior sempre toma a cena e eis que sobe ao palco o Prefeito de Taubaté-sp, denominado Ortiz Junior e despeja a AVLA - Academia Valeparaibana de Letras e Artes, das dependências do Centro Cultural Municipal. As razões eu desconheço, mas deixo-os com a notícia que colhi no "face" do amigo Luiz Antonio Cardoso...
Publicado em 28/05/2013
A AVLA-Academia Valeparaibana de Letras e Artes, é despejada do Centro Cultural, pela prefeitura de Taubaté, nessa segunda-feira 27.
A Academia surgiu no cenário cultural em uma reunião realizada em 14.02.2001.
Em 24.03.2001 às 13h30 no auditório da OAB -- Taubaté,aconteceu o primeiro encontro com o tema "Saiba porque a Literatura está cada vez mais presente em sua vida". Compareceram cerca de 40 autores.
Em 24.04.2004, a AVLA passou a ser designada como AVLA-Academia Valeparaibana de Letras e Artes, abrangendo Literatura, Teatro, Música , dança e Artes Plásticas ,e assim englobou-se as Letras e Artes.
Ao longo dos anos, a AVLA promoveu concursos Literários, Peças Teatrais, Exposições Artísticas, Saraus, Chás literários , Pizzas Literárias , e Lançamentos Literários.
Transmissão TV Cidade canal 99net/03digital
Reportagem e Edição: André Ferreira
Imagens: Claudia Melo
Operador de VT: Paulo Sergio Souza
Diretor de Geral: Jefferson Melo

quinta-feira, 30 de maio de 2013

CRÔNICAS DO LIRISMO IMEDIATO * 1- A POESIA VICEJA * ANTONIO CABRAL FILHO

***
1 - A POESIA VICEJA

Nas atribuições diárias da maioria dos viventes não sobra espaço para a poesia, não há sequer um segundo para o indivíduo elocubrar e evadir da camisa-de-força dos compromissos impostos pelo modo de vida judaico-cristão-ocidental-capitalista. 
Aí vem-me à cabeça o paranóico atirador da "columbine-global" Arnaldo Jabour... É que eu estava no ponto de ônibus junto àquela massa aflita para pegar a condução matutina enquanto observava as manchetes dos jornais na banca do cruzamento da Estrada Santa Maura com a Bandeirantes e uma folha de jornal aberta bem aos pés de uma árvore sombreira chamou a minha atenção com a palavra POESIA no cabeçário. Então, cheguei mais perto para examinar o que era. A chamada "A cada dia, uma nova poesia" deixou-me estupefato, e mais ainda ao ler o preâmbulo " No início, o blog teria apenas versos. Mas, aos poucos, o jornalista Lucas Gutierrez abriu espaço para outras formas de arte." Conferindo melhor, vi que se tratava de uma " pubricação grobal", que vez por outra, certamente "mete-o-pé-na-jaca" e apresenta alguma coisa de bom; encontrei o blog... lucasguti.blogspot.com.br e estou sugerindo apreciar...
Mas concluí que nem tudo está perdido e a poesia viceja.
***

terça-feira, 14 de maio de 2013

JAVAÉ * ANTONIO CABRAL FILHO

*
Minha história começa pelo nome: Antonio.
Por ser filho de ambiente natural, onde os nomes são transparentes e todos sabem seus significados, a palavra Antonio me causava estranheza, por não saber o seu significado.
Passei a infância brincando com Coaraci, Jaci, Peri, cunhatans e curumins da minha taba, nomes tirados por meu povo da sua relação com a natureza onde vivia.
Mas a minha gente aceitava que um estranho chegasse e se juntasse a nós, se casasse com uma cunhan da tribo e até que chegasse ao posto de Ubirajara. Isso levou ao surgimento de nomes como o meu, Antonio; além de outros como Maria, Ana, Francisco, Tereza etc, todos ligados a uma religião baseada numa cruz e num homem branco que chamam de Jesus Cristo, e, aos domingos, íamos à igreja deles.
Meu pai era um homem branco. Ele raptara minha mãe e a levara para um cafezal, onde eu nasci. Depois, viemos morar com a família dela na aldeia. 
Até hoje eu não sei o que nos fez viajar no meio da noite, cruzando rios a nado, florestas e montanhas no maior silêncio que eu já vi, sem cortar arbustos nem cipós para abrir caminho ou fazer pousada sequer à noite. Sei somente que minha mãe seguia na frente, comigo escanchado ora nas costelas ora nas costas e, quando ela parava com o dedo indicador sobre os lábios, era sinal de que havia perigo. Por diversas vezes passamos ervas no corpo, para não atrais a sanha dos animais com o cheiro do sangue humano.
Mas com o tempo eu fui percebendo algumas curiosidades sobre a palavra Antonio: Nome de um santo que promove o casamento, uma espécie de deus dos casais. Descobri depois que o seu dia é treze de junho, época de festa junina, quando se faz quadrilha com todos fantasiados de agricultor para comemorar as colheitas. Dessa época, eu preferia as batatas assadas na fogueira, o milho cozido, os doces, as broas etc. Pude notar que se tratava de santo festeiro, partidário da fartura e certa liberdade de gula.
De surpresa em surpresa, caí sobre um dicionário de nomes próprios, onde encontrei a surpreendente explicação sobre Antonio: Aquele que não se vende, incorruptível, puro de espírito, que protege os pobres e as crianças.
Depois de refletir sobre tudo que levantei a respeito do meu nome, calei-me mais ainda sobre minhas desconfianças e rejeição a esses nomes ligados a esse tal de Jesus e jamais revelei por que sempre me apresentei pelo apelido de Javaé.
Certa vez meu pai deu-me a tarefa de capinar o matagal ao redor da nossa oca, casa segundo ele, e ao terminar e amontoá-lo para queimar depois de seco, foi-me entregue uma nota de dinheiro, para eu comprar balas no domingo, após a missa dos cristãos. Então, lembrei-me do meu nome, Antonio, incorruptível, que não se vende, lá do dicionário, e perguntei ao meu pai se ele estava me comprando, me corrompendo, por eu ter realizado uma coisa boa para todos nós, , como a segurança de não haver nenhuma boiúna tocaiando nossos pintinhos, minha mãe deixou claro que não gostou por ter lhe tirado o único local aonde pôr a roupa para quarar e minhas amigas de brincadeiras chiaram por ficarmos sem a relva onde estender as esteiras para tomarmos sol deitados.
Vendo meu embaraço, ante as três insatisfeitas, meu pai chamou-me e disse ao pé do ouvido:
- Compra tudo de bala e dá duas para cada uma que elas esquecem logo-logo!
- Como o senhor é corrupto! Exclamei, mas não tive outra saída.
*&*
Crédito:https://www.google.com.br/search?q=javae&newwindow=1&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=t0OSUZT0NYeH0QGD9YHADA&sqi=2&ved=0CD4Q

terça-feira, 7 de maio de 2013

DO PROFUNDO AMOR DE MÃE * Antonio Cabral Filho - Rj

Minha Mãe, 84 Anos de Ternura.

É Ana José da Silva,
Saraiva de nascimento,
que seu amor sempre viva
gravado no firmamento.
*
O maior amor do mundo,
mãe, amor incomparável,
dona do amor mais profundo,
fazei-me filho louvável.
*
Mãe é ser inquestionável,
feito apenas para amar;
quem for um filho louvável
jamais lhe fará penar.
*
São apenas três letrinhas,
mãe e céu, que tudo encerram;
mas a mim nem céu convinha
sem ter mãe aqui na terra.
*
Mãe, sinônimo de amor,
graça de Deus a seus filhos,
seja lá quando eu me for,
quero que apague os meus brilhos.
*
Queridíssima trovinha,
dê-me voz nos versos teus
pr'eu dizer "Santa Maezinha",
és meu presente de Deus.
*

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O DEZOITO BRUMÁRIO DE ARTHUR RIMBAUD * ANTONIO CABRAL FILHO


TENHO APENAS VINTE ANOS
A MAIS QUE ARTUR RIMBAUD
E NEM UM SEGUNDO NO INFERNO.

NUNCA PROVEI A TAÇA DA AMARGURA
NEM QUEBREI A CARA NA ABISSÍNIA
E CHEGUEI EM CASA PERNETA.

JAMAIS RENEGUEI MEUS PAIS
NEM MINHA QUERIDA JAMPRUCA
POR SUA VIDA PACATA.

E O FATO DE MOCHILAR POR AÍ
NÃO TORNOU-ME UM ANDARILHO
NEM ME FARÁ URBANÓIDE.

SAIR DA CASA PATERNA, PRA MIM,
É O MESMO QUE IR AO TRABALHO
OU À HORTA COLHER ALFACES.

NÃO QUERO FAZER DO MUNDO
UM MONTE DAS MINHAS CINZAS
SÓ PORQUE EU NÃO ME AMO.

NÃO SOFRO DE "CAZUZISMO"
ACUSANDO A BURGUESIA
POR FALTA DE IDEOLOGIA.
*&*
TEM BRASILEIRO NA COREIA...
*&*

quarta-feira, 10 de abril de 2013

TERRA DE POSSE * ANTONIO CABRAL FILHO


Nasci em 14 de agosto de 1953, no povoado de Jampruca, então Distrito do Município de Frei Inocêncio, Estado de Minas Gerais. O local era uma carvoaria. Meus pais e demais familiares, parte formada por Nativos e parte brancos, portugueses e italianos, sobreviviam disso. Na época, anos 50, haviam na região conflitos agrários envolvendo os dois lados da família, dividida entre "grileiros" e população Nativa, na disputa pelas terras, muito férteis naquela região do leste mineiro, pelo menos àquele período. 

Não tenho lembranças precisas das ocorrências sobre os embates dos quais meu pai participava, mas lembro-me, muito bem, de sairmos no meio de uma noite, montados em burros, seguindo por uma estrada de rodagem, às vezes quase esmagados por carretas carregadas de toras de madeira, que passavam por nós tocando suas buzinas e nos intoxicando com a nuvem de poeira vermelha que levantavam.  

Viajamos até ao anoitecer, quando chegamos em um local, que muito tempo depois, eu fiquei sabendo chamava-se Colatina. Estávamos no Estado do Espírito Santo. Hospedamos na casa da Vovó Olinda, à beira de um rio imenso, muito perigoso, devido à forte correnteza de suas águas. Era o Rio Doce, na sua parte Capixaba, contou-me meu Avô, enquanto pescávamos, sentados em uma pinguela que cruzava o rio.

Daí, da casa dos meu avós paternos, fomos morar no meio de um cafezal, numa localidade chamada Laranjinha. Aí, nasceu e morreu meu irmão José Maria, que não resistiu à inanição. Logo depois, meu pai conseguiu uma "Terra de Posse", para onde nos transferimos. Moramos em redes não sei quanto tempo, mas construimos uma bela casa de alvenaria, no meio da floresta, com tijolos feitos e queimados por nós, pois a terra vermelha é ótima para cerâmicas em geral.

Não demorou e apareceu proposta de compra da "nossa propriedade", como se dizia na ocasião; e meu pai não pensou duas vezes, inclusive por temor à "grilagem". Pegou aquele dinheirinho e partimos de volta para o Frei Inocêncio-MG, aonde um tio meu era gerente de fazenda e nos alojou como agregados, até meu pai conseguir comprar uma nova terra. 

Mais do que rápido, meu pai adquiriu um sítio na alto da Serra do Paiol, local com vistas para toda a região, de onde eu e meu segundo irmão José Maria da Penha, nos setávamos no topo da Pedra do Urubu, ponto mais alto de toda aquela redondeza, e ficávamos contando carros; carros de passeio eram dele e carros de carga eram meus. Como na futura Rodovia Rio-Bahia não passavam carros de passeio, eu ganhava sempre !

É daí que vem a minha atração pelas cidades grandes, porque eu era louco para saber aonde iam tantos carros, tantas carretas, safras e mais safras de arroz, feijão, milho, abóbora, mamão, cana, porcos, galinhas, gaiolas cheias de bois...

MEU LINK NO AVAAZ
http://www.avaaz.org/po/20mm_story_page/?tQouicb&story_id=2824
***

sábado, 30 de março de 2013

ANTONIO CABRAL FILHO NO JORNAL DE POESIA


Clique aqui para conhecer o maior site de Poesias da Internet !!!Soares Feitosa 
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Novidades da semana
Você quer participar? 
Veja como é fácil
 


Antônio Cabral Filho
Rua João S. Azevedo, 9 - 56
Santa Isabel
24.731-970 - São Gonçalo, RJ

O autor edita o 
Curupira - Folhetim de Agitação Cultural 
Caixa Postal 100.026 
24001-970 - Niterói, RJ 


 
POETA DA PERIFERIA 
  
Nunca tirei um sarro 
Nos bancos do Central Park 
Nem aos pés da Estátua da Liberdade 
Sequer algum dia 
Imitei o Hugh Grant 
Trocando boquete 
Com alguma Divine 
Nos arredores de Los Angeles 
Jamais mijei no Rio Hudson 
Do vão central da ponte do Brooklin 
E nunca achei graça alguma 
Em comer pipoca com bacon 
No trem fantasma da Disney World 
Tampouco nunca peguei um break-fast 
Em qualquer lanchonete da Wall Street 
  
Mas ninguém se assuste 
Com meu desdém debochado 
Pelas coisas suntuosas 
Desse mundo consumista 
É que eu me sinto muito bem 
junto aos pés-de-cana 
Dos botequins pés-sujos 
Desses guetos suburbanos 
Onde levo minha vida 
De poeta proletário 

Página inicial do Jornal de Poesia

Desde 17 de Julho de 1997 que eu devo esta gratidão ao Prezadíssimo Amigo SOARES FEITOSA, mas quem não sabe nada de informática nem de mundo virtual, sabe tanto quanto eu que demora para aprender isto aqui: Fazer uma Página, editar como se pretende e postar. É graças a Ele que estou agora tirando casquinha de webmaster e à vontade para dizer: VALEU SOARES FEITOSA !!



sexta-feira, 22 de março de 2013

ENTREVISTA A SELMO VASCONCELOS * ANTONIO CABRAL FILHO


ANTONIO CABRAL FILHO – ENTREVISTA 
Publicado em 10 de janeiro de 2010 por selmovasconcellos



ANTÔNIO CABRAL FILHO 




ENTREVISTA SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever ? ANTONIO CABRAL FILHO – Sou operador de caixa de supermercado. 

SELMO VASCONCELLOS – Como surgiu seu interesse literário ?
 ANTONIO CABRAL FILHO – Do contato com repentistas e violeiros do sertão mineiro.
 SELMO VASCONCELLOS – Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ? ANTONIO CABRAL FILHO – Já publiquei quatro livros de bolso e participo de duas antologias. A primeira da UFF e a segunda da ANE, Associação de Escritores de Niterói. 
SELMO VASCONCELLOS – Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ? 
ANTONIO CABRAL FILHO – Qualquer coisa me inspira. 
SELMO VASCONCELLOS – Quais os escritores que você admira ? 
ANTONIO CABRAL FILHO - Lima Barreto,mais que Machado de Assis, pois ele retratou a vida operaria com paixão.
SELMO VASCONCELLOS – Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ? ANTONIO CABRAL FILHO – O poeta tem que ser um romântico revolucionário em tempo integral.



 POEMAS FAIXA DE GAZA 




Nos recreios da escola

 Pintava sempre uma briga 
Pra divertir a galera. 
Aí eu riscava no chão
 Uma linha e gritava “qué briga pisa aqui”
 E abria – se logo um círculo
 De platéia para os brigões
 Mas às vezes era richinha
 Coisa pouca para uma briga
 Então eu riscava a linha no chão 
E gritava 
“Qué apanhá pisa aqui” 
E sem saber nada de guerras
Nem de oriente médio, 
Eu tinha inventado
 A “faixa de gaza”. 



SUPLÍCIO DE NIETSCHE II 

Nietsche proclama 
A todos os ventos
 Que “o espírito do poeta
Precisa de expectadores, 
Nem que sejam búfalos”…
 Vinicius também proclama
 Para além dos quatro ventos
 “as feias que me perdoem 
Mas a beleza é fundamental.”
 Não sou Jesus, mas imploro : 
-Pai, perdoa-lhes.
 Eles não sabem
 O que é subjetividade. ***



 Nuvens no varal 

Lavadeiras do Rio Doce
 Entoam canções clique aqui
***
Vamos conferir, 
www.selmovasconcellos.com.br/colunas/entrevistas/antonio-cabral-filho-entrevista/
&*&

domingo, 3 de março de 2013

MARIA DA PENHA 08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER * Antonio Cabral Filho

www.mariadapenha.org.br
*

 TROVAS À PROFESSÔRA MARIA DA PENHA 
Razão da Lei Maria da Penha
**
Maria da Penha é grei,
que põe contra a lei das armas
o poder de arma da lei
sobre os senhores do karma.
&
Maria da Penha oh é
nordestina e feminista,
dá exemplo pra quem quer
aprender matar machista.
&
Maria da Penha é ser
total Maria da Penha,
toda força pra vencer
aquele que as armas tenha.
&
Maria da Penha, é teu
o gosto desta vitória,
vitória que mereceu
brilhar no templo da glória.
&
Com o dinheiro não me iludo,
ante a quem passou por tanto,
mas sei que a vitória é tudo
sobre a derrota do quanto.
&
Nem a razão soturna
justifica tal loucura,
com torpeza tão noturna
contra outra criatura.
&
Salve Maria da Penha
e com meu gesto demonstro
que na luta vale a pena
tudo que derrote o monstro.
&
Maria da Penha tece
sua rede na memória
junto com quem não esquece
de quem constrói nossa história.
&
Lute Maria da Penha!
Não dê férias pra madeira
nem descanso para a lenha,
lhe quero sempre guerreira.
**

sábado, 23 de fevereiro de 2013

SONO PROLETÁRIO * AntonioCabralFilho

Viajo incômodo
no banco do ônibus
e logo me vejo 
vergado pelo sono,
sono insólito,
surgido das sombras do cansaço,
que com seu ataque súbito
domina todo meu ser
e me conduz involuntário
a ouvir seu som de flauta...

Sinto inútil a luta que travo
pra livrar-me do seu feitiço
e vencido, vejo-me
ante um anjo de neve;
ensaio a fuga
e de várias direções
surge o anjo
insinuando-se pra mim
de fronte erguida e olhar distante...

Noto que avanço por uma rua molhada
calçada de pedras portuguesas
e inesperadamente afundo o pé na lama
e o anjo põe-se diante de mim,
percebo seu semblante
me pedindo calma.
Súbito ouço um barulho,
é o cobrador avisando o fim da linha
e concluo que a poesia é assim mesmo:
Um ser intrépido e sem forma
que nos ataca sem aviso prévio
e faz-nos prisioneiros
de emoções estranhas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

DO POBRE ARLEQUIM * Antonio Cabral Filho - Rj

Nasci ao sopé das montanhas,
Lá onde terminam os bosques
E as florestas se adensam.

Bem cedo aprendi a brincar
Com os habitantes desse mundo
Onde reinam Sacis e Iaras.

Ainda menino fui pras cidades
Sem seio de mãe nem ombro de pai,
Órfão de noite e de dia.

Segui sempre o senfim dos caminhos
E a poeira das estradas
Tingiu de vermelho os meus sonhos.

E o ronco do motor dos caminhões
É que ninou a soneca do menino
À sombra dos arbustos solidários.

Meu prato requentado e rápido
Eu soube sempre o seu sabor de sal
Temperado de relento e sol.


Na cidade sou um peixe fora d’agua
E vez por outra ponho-me frente aos bares
Perscrutando por que essa gente bebe tanto.

O meu amor não sabe o pranto
Tão fartas comigo foram as mulheres francas
Em darem-se inteiras e detalhes tantos.


Não prometo ser algum dia um gentleman,
Mas eu não mijo calçada a fora
Após uns chopes com steinhägen.
*
Do Pobre Arlequim, integra a ANTOLOGIA POÉTICA Vol2 - UFF/Eduff 1996.
***