sábado, 7 de junho de 2014

PODERES MÍSTICOS DA CALCINHA # Antonio Cabral filho - Rj

MOMENTO LITERO CULTUAL - SELMO VASCONCELLOS  - RO
ANTONIO CABRAL FILHO
*
PODERES MÍSTICOS DA CALCINHA

São coisas do território das lendas,
estórias dos tempos das altas bruxarias,
mandingas recheadas de mistérios
feitas para durarem além da cronologia,
fatos comprovados de loucuras transcendentais,

tudo bem sedimentado
no alicerce das paixões
possuindo por todo sempre
como pedra fundamental
a peça mais delicada
do vestuário feminino,

expressão da maior sensualidade,
cofre de segredos inenarráveis
e senhora de tontos encantamentos.

É d'onde vem os feitiços
que nos mantem cativos,
como o café da manhã
passado na calcinha
para o homem em jejum
ou a mesma estendida no varal
para o homem passar em baixo
ou ainda o nome dele 
costurado nessa peça
e usada pela pretendente
durante sete dias e noites
seguidas de sete orações
ao Padroeiro Santo Antonio.

Mas isso é para prender
e dizem que para expulsá-lo
é só urinar no seu rastro
que ele jamais lembrar-se-á
da sua antiga pastora.

E, segundo o Manual
do Perfeito Bruxo do Amor,
se a dama pretendente
quiser o homem para sempre,
é só fazê-lo dormir 
com sua calcinha uma noite
vestida sobre a cabeça,
e como dica de apoio
sugere calcinha branca
para um amor calmo e seguro,
bem no ritmo do remanso;
vermelha para amor fogoso
tipo tempestade de verão,
preta para amor cego
como o sol de meio dia,
que brilha despreocupado,
e em se tratando  de mistérios,
é bom ser comedido
senão a sintaxe explode
e vira paroxismo.
*

quarta-feira, 28 de maio de 2014

AUTO RETRATO AOS 6O ANOS # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

*
-Antonio Cabral Filho-

Nasceu em Jampruca, uma carvoaria,
em Frei Inocêncio, Minas Gerais, 
no dia 13 de agosto de 1953.
Altura 1, 65
calça 40
colarinho M,
já fumou, bebeu,
bateu cabeça por aí,
até dar de cara com o sol,
mas deixou disso.
Gosta de viver em paz, 
consigo e com os outros
e torce pra não pintar rebu,
porém...
Gosta de ouvir rádio,
detesta telefone, campainha,
barulho no portão,
odeia gente que fala alto,
usa óculos só pra ler
e está ficando calvo.
Só come pra matar a fome
e não recusa jiló como aperitivo.
Adora frutas e doces
e vigia suas compulsões.
Gosta de música, de todo tipo, 
mas a mpb domina,
lê de tudo, até jornal do metrô,
e inventa matérias sobre eles
em forma de crônicas.
Já escreveu um monte de livros,
mas editou só três, em papel,
e em e_book 35.
Desconfia dos ateus, 
pois já viu um deles
mudar de calçada
devido a um gato preto.
Nunca se filiou a nada,
nem pretende.
Vive de pé-atrás
com quem declara ódio à burguesia
e amor às crianças...
Escritores que mais cultiva:
Graciliano Ramos, Emile Zola,
Maiakovski, Brecht, Benjamin,
Ferreira Gullar, Gonçalves Dias,
e seus contemporâneos.
Tem atração por alguns
palavrões, como buceta, cu,
boquete, 69, frango-assado etc,
beija lentamente, sem respirar...
Não tem preconceitos profissionais,
desde o cabo da enxada
até à mesa de produtor gráfico,
se vira mais que o Faustão.
Quer distância de quem deseja
a morte dos outros,
pois acaba indo na frente,
furando a fila dos defuntos.
É tido por pessimista, 
mas só ele sabe o que já viu.
Não troca de guarda-roupa,
pois não coleciona o conteúdo.
Reescreve exaustivamente 
seus contos e poemas,
a ponto de desconhecê-los depois
e já fez turismo na cadeia
por subversão...
Faltou comida no quartel!
Também já foi avesso
a modernices tecnológicas,
mas descobriu o leptop
aos sessenta anos de idade
e não se arrepende.
Seus melhores amigos
são os inimigos, pois sabe
o que eles pensam de fato.
Não tem dívidas
e se fosse matar quem lhe deve,
resolveria boa parte
do problema habitacional.
Não é perfeito, 
nem  é burro bastante
pra deixar de aprender,
mas espera fazer vingança
quando morrer, matando 
de chorar os amigos
e de rir, os inimigos, 
até o ano que vem.
***

quinta-feira, 22 de maio de 2014

NAS TRILHAS COM HO CHI MINH # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

Ho Chi Minh
ou
melhor
Nguyen Tat Thanh,
nasceu em 19 de maio de 1890 e faleceu de ataque cardíaco em 3 de setembro de 1969, mas seu país, o VIETNAM, derrotou política e militarmente, três das maiores potências capitalistas mundiais: o Japão, a França e, gloriosamente, os EUA.
*
NAS TRILHAS COM HO CHI MINH

Somos todos Ho ChiMinhs,
seguros em nossas trilhas
com a certeza da vitória
rumo à revolução.

Caminhamos sobre minas
por terrenos escarpados
sentindo em nossas nucas
o hálito fecal dos joes.

Cruzamos pântanos rubros
do sangue de nossos irmãos
e vemos corpos cinzentos
boiando sobe o Mekong.

Nossa ração mínima
de água e arroz vermelho
quase parece um fardo
para as nossas condições.

Nossas únicas notícias
sobre a sanha inimiga
é a catinga de pólvora
que aspiramos do vento.

Colunas de Ho Chi Minhs,
comandos de Ho Chi Minhs,
meninos chamados Giaps
tiram o sono dos joes.

Não dormiremos em paz
enquanto houver um yank
maculando nosso chão
com sua fome de miséria.

E se faltar munição,
matá-los-emos todos
com flechinhas de bambu
infectadas de merda.

Vietnam é liberdade,
é paz nos arrozais,
sorriso de nossos filhos
e o canto de nossas mulheres.

Somos todos Ho Chi Minhs
seguros em nossas trilhas
com a certeza da vitória
rumo à revolução.
***

sábado, 17 de maio de 2014

CANTIGA PARA CASSIANO NUNES # Antonio Cabral Filho - Rj

.

Mestre Cassiano Nunes - Internet
*
Recebi poemas durante anos
do Mestre Cassiano Nunes
e saía com eles pra rua,
levava para os eventos
e lia para os amigos
nas rodas e recitais,

e quando soube da sua morte,
levei um baque; e agora (?),
pensei, mas certo de não ter resposta,
segui de garganta seca.

Senti por não fazer acervo
de tantos poemas que recebi
sempre com dedicatórias
Ao Poetamigo Antonio Cabral Filho,
mas me desfiz deles após
lê-los para o meu público
e publicá-los em meus fanzines.

E a falta que sinto agora,
seja dos poemas ou do poeta,
é a satisfação que vai comigo
enquanto eles se foram
para outras vidas e outras formas.

Mas quando alguém perguntava
após a leitura de um poema
quem era Cassiano Nunes,
eu respondia todo enrolado:
É um paulista nascido em Santos
que foi pra Brasília
e nunca mais saiu de lá!
***

domingo, 11 de maio de 2014

CABEÇA DE TOCO # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

************************
CABEÇA DE TOCO

Naquelas curvas
que dão voltas no sertão
há casos que o povo conta,

casos de poeira
que sobe nos braços do vento
e faz a Virgem Maria
trazendo anunciação

casos de assombração
que vai em nossa frente
andando andando
sem olhar para trás
sem deixar rastros
nem fazer movimentos

casos de toco toco sim
punhado de tocos
que vivem na beira da estrada
seguindo a nossa viagem
e ficam ali parados
olhando as gentes passar...

e tem toco que vai
segue os passos da gente
e faz o pobre parar
e pôr a mão na cabeça
abestado que só vendo
e perguntar ao sertão
"mas eu num já vi esse toco (?!)
passei por ele agorinha..."

mas tem toco que exagera
e tira tudo do sério:
É toco que tem cabeça,
toco que tem cabeça, é!
Dizem que é...
não é cabeça de boi,
que é maioria 
e não dá nem pra somar;
não é cabeça de burro,
que há em profusão
e ninguém dá conta de contar;
não é cabeça de gente,
que de gente há multidão!

Dizem os andarilhos do sertão
que as cabeças que os tocos tem
é a cabeça do bicho,
é, a cabeça do bicho,
cabeça do bicho, é é é é !!!
***

sexta-feira, 25 de abril de 2014

PAIXÃO DE CLARICE SEGUNDO GH # Antonio Cabral Filho - Rj

Desenho de Carlos Scliar
****************************
PAIXÃO DE CLARICE SEGUNDO GH

Segundo Kierkegaard,
" O que importa
é encontrar uma verdade
que seja verdade para mim,
encontrar a ideia pela qual
possa viver e morrer."

Alguns levam a vida parados,
deixam o tempo escorrer
como melado para fora do tacho,

deixam o tempo passar
como queira a cadeira de balanço,
sem sequer espichar o olhar
e ver o que se passa
além da sua varanda.

Deixam tudo pra depois,
não apertam o passo
nem pelo ano novo.

Outros cruzam a vida depressa
afobados com tudo,
sobrecarregados de bolsas,
sacos de compras, pastas,
e a cabeça cheia de contas,

passam por nós sempre atrasados
até encontrá-los aveceizados,
presos à cadeira de rodas.

Mas tem uns que passam
tão rápidos pela vida
que não deixam nem rastros
para o poeta pôr no verso.

Vivem tão intensamente
cem anos em cinco
que preferem morrer de tiro
do que viver de tédio.

Estes são como GH,
que fez Clarice 
guardá-los na manga
e livrá-los dos nossos incômodos.
*

sábado, 19 de abril de 2014

CANÇÃO DOS GUETOS # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

+
*****
CANÇÃO DOS GUETOS
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD.
Guetos de Roma
Hanói, Formosa
Pequi, ou de la Habana Vieja
Y sus "desintegrados"
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD.
Guetos londrinos
Bem à margem do Buckingham
Guetos germânicos
De Bonn ou Berlim
Divididos em "Òssis e Véssis"
Cada um velando
em seu umbigo
o ovo da serpente
MADE IN GERMANY
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD.
Guetos da Bolívia
E seus índios "cocaleros"
Da tribo Quéchua,
Guetos do Peru
E seus guerrilheiros
Sem sendeiros luminosos
Para TUPAC AMARU,
Guetos da Venezuela
E seus caracazos bolivarianos
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD
Guetos dos guetos amarelos
Brasilverdesifilíticos
Gonorrêicos que não lhes quero
Assim do Oiapoque ao Chuí
Das palafitas ribeirinhas de Manaus
Cheias de prostitutazinhas meninas
Vendida por seus próprios pais
A caftens made in europe
Às margens das trans...amaz
Ônicas de meninos e meninas ao relento
Nas praças da república
De suas megacapitais
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD

Guetos de São Paulo
Dos casarios miseráveis
De tábua e zinco
Das zonas norte
Desnorteadas pro
Sul leste oeste
Que apesar dos pontos cardeais
Que os atritam
Nenhum cardeal
Nos deixam em paz
Nos seus sermões dominicais
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD
Guetos do Rio de Janeiro
De tontas maravilhas
De janeiro a janeiro
E cariocas brejeiras
De cartão postal
De Chapéu Mangueira
E Pavão Pavãozinho
Vidigais e Vigários Gerais
Onde a palavra FAVELA
Fala a língua do "bigode grosso"
Pela graça da mordaça
De tantos COMANDOS
Há que buscar uma linha
Mesmo que seja vermelha
Mesmo que seja amarela
Ainda que seja anêmica
Para juntar tantas
Rocinhas Morros das Viúvas
Ladeiras dos Adeuses
Baixadas e Jardins Catarinas
Contra tantos opressores.
Pero hermanos
Hablar no me basta
Como no me basta
Llorar los hermanos caídos
Pois para poner fin
A tanto apartheyd
HAY QUE ENSUCIARSE LAS MANOS!
***

sexta-feira, 18 de abril de 2014

LÍNGUA DE MEL * ANTONIO CABRAL FILHO + RJ

+
**********************
Pátria da língua
ou língua da pátria
não quero saber,
não me importa
a nacionalidade da língua
e sua pátria muito menos.
Eu só quero a linguada,
a lambida sedosa
que me faz arrepiar
e arranca o gozo
com jorradas e urros.
Sem essa de minha pátria
é minha língua que nada,
se ela não tem 
um orgasmo pra mim,
só me interessa o boquete.
***

quarta-feira, 2 de abril de 2014

DORIVAL CAYMMI 100 ANOS # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

 Amigos, em 30 de Abril próximo
DORIVAL CAYMMI
completa 100 ANOS DE NASCIMENTO.
Vamos homenageá-lo!
************************

EMBOLADA À CAYMMI

Caymmi que me perdoe,
mas cantar só a Marina
é um erro imperdoável,
é deixar todas as outras,
mulheres tanto que são,
numa secura asiática.

Não precisa ser Dom Juan,
pra visitar à surdina 
somente as escolhidas
ou Bandido da Luz Vermelha
e cobrar a peso de ouro
o orgasmo sorrateiro
das suas vagabas paulistas,
nem dar uma de Vinícius
e classificar de feias
todas que não "pegou",
ou fazer como Drummond,
para amar somente as sonsas
no escurinho dos cinemas.
Muito menos esnobar,
como fez Manuel Bandeira,
que se amarrou em Tereza
e nas horas mais soturnas
fazia visitas secretas
à Rosa de faces lívidas
e quando ela adormecia
seu sono de querubim,
Bandeira corcovinava,
lépido qual uma lebre,
pela Mem de Sá a fora, 
cruzava a Frei Caneca,
quebrava na Carmo Neto
e ia findar no Mangue,
onde ele se realizava
nos braços de Colombinas,
Leninhas, Brigites e tais
do seu mundinho privê.
Mas logo que se fartava,
fazia o caminho de volta
pra fastiar-se na Lapa,
quiçá nos braços de Irena
n'algum daqueles becos
que rondam a velha igreja
de Nossa Senhora do Carmo,
e, quando o dia raiava,
Bandeira se recolhia,
sem sorriso de Arminda
nem carinho de Isabel
e se punha a construir
sua nova canção do beco,
sem beijo nem lembrança
do frustrado amor de antonia.

Mas Caymmi que me perdoe,
cantar somente a Marina
é um erro imperdoável!
***
CAYMMÓPOLIS

Até bem pouco, eu
ouvi Caymmi dizer
" Vou pra Maracangalha,
eu vou", como ouvi
Manuel Bandeira confessar
"Vou-me embora pra Pasárgada".

Maracangalha, era pra mim,
algo assim como um tipo
de refúgio secreto
à Colônia Cecília
ou mesmo uma Shangri-lá,
coisas do imaginário anarquista
ou de cristão jesuíta
caçador da Terra Prometida,
ou quem sabe ainda
de algum consumidor de lsd.

Mas esse estado lisérgico
durou só até eu dar de cara
com a foto panorâmica
da Praça Dorival Caymmi
cheia de bancos, jardins,
arquitetura nyemaieriana
e usinas de açúcar.

Gelei, mas caí na real.
Maracangalha não é utopia
e, por incrível que pareça,
é uma cidade da Bahia.
***

quinta-feira, 27 de março de 2014

SOBRE METÁFORAS # Antonio Cabral Filho - RJ


Falar por metáforas
é discursar para ouvidos moucos,
é como ranger os dentes
para esconder a vertigem,
é o mesmo que agachar
e virar o rosto de lado
gemendo de suar frio
e fazer as necessidades 
à frente de todo mundo,
morto de vergonha,
até esvaziar as tripas,
como bem faz a natureza
desde priscas eras...
*

sexta-feira, 21 de março de 2014

PERIGO ATENÇÃO # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

-internet-
*

                                                                                  civilizado
                                                                                  cristão
                                                                                  ocidental

                                                                                  cristão
                                                                                  ocidental 
                                                                                  civilizado

                                                                                  ocidental
                                                                                  civilizado
                                                                                  cristão
                                                                                   
                                                                                   pobre do cão
                                                                                   correndo atrás
                                                                                   do próprio rabo

                                                                                   socorro
                                                                                   granada
                                                                                   pelo amor de Deus

                                                                                   mil vezes a morte
                                                                                   a ser civilizado
                                                                                   ocidental cristão

quarta-feira, 12 de março de 2014

DISCIPAÇÃO # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

A palavra
diz de si
sua parte 
de ação

A cerração
serra
           erra
era ração
sobre as colinas
véu de neblina
a obstar o tempo

Desatino
des
       afino
do amanhecer
contra
              o sol
no seu voo
de asas 
infinitas
des
cor
tin
and
o horizontes

domingo, 9 de março de 2014

GRAVATA DE QUINTANA # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

-paigoogle-

GRAVATA DE QUINTANA

Quintana empaca meu verso
mas eu puxo-lhe a gravata
e ele ri seu risinho besta
cheio de desdém
pelas coisas deste mundo,
mas sem largar
a desgraça do cigarro.

Intimo-o a não rir de mim
mas sem dar-me nenhuma atenção
mantem-se concentrado em seu vinho
sem descuidar com o olhar
atento para surpresas
que eu possa aprontar-lhe
até que desata a rir mais ainda
e desfaz-se o nosso entrevero
como se defraudasse 
a bandeira colorida
dos seus sonhos infantis.

Mas novamente puxo-lhe a gravata
e não mais encontro Quintana,
só o vaquo da mesa vazia,
o salão da adega em silêncio
e o jornal à minha frente
com a notícia repentina...

Quintana decola
do aeroporto moinho de ventos
rumo ao seu mundo de estrelas
onde pretende esquecer de tudo
e passar o resto da eternidade
puxando perna de grilo
e beijando Brunas Lombardis.
***