domingo, 11 de maio de 2014

CABEÇA DE TOCO # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

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CABEÇA DE TOCO

Naquelas curvas
que dão voltas no sertão
há casos que o povo conta,

casos de poeira
que sobe nos braços do vento
e faz a Virgem Maria
trazendo anunciação

casos de assombração
que vai em nossa frente
andando andando
sem olhar para trás
sem deixar rastros
nem fazer movimentos

casos de toco toco sim
punhado de tocos
que vivem na beira da estrada
seguindo a nossa viagem
e ficam ali parados
olhando as gentes passar...

e tem toco que vai
segue os passos da gente
e faz o pobre parar
e pôr a mão na cabeça
abestado que só vendo
e perguntar ao sertão
"mas eu num já vi esse toco (?!)
passei por ele agorinha..."

mas tem toco que exagera
e tira tudo do sério:
É toco que tem cabeça,
toco que tem cabeça, é!
Dizem que é...
não é cabeça de boi,
que é maioria 
e não dá nem pra somar;
não é cabeça de burro,
que há em profusão
e ninguém dá conta de contar;
não é cabeça de gente,
que de gente há multidão!

Dizem os andarilhos do sertão
que as cabeças que os tocos tem
é a cabeça do bicho,
é, a cabeça do bicho,
cabeça do bicho, é é é é !!!
***

sexta-feira, 25 de abril de 2014

PAIXÃO DE CLARICE SEGUNDO GH # Antonio Cabral Filho - Rj

Desenho de Carlos Scliar
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PAIXÃO DE CLARICE SEGUNDO GH

Segundo Kierkegaard,
" O que importa
é encontrar uma verdade
que seja verdade para mim,
encontrar a ideia pela qual
possa viver e morrer."

Alguns levam a vida parados,
deixam o tempo escorrer
como melado para fora do tacho,

deixam o tempo passar
como queira a cadeira de balanço,
sem sequer espichar o olhar
e ver o que se passa
além da sua varanda.

Deixam tudo pra depois,
não apertam o passo
nem pelo ano novo.

Outros cruzam a vida depressa
afobados com tudo,
sobrecarregados de bolsas,
sacos de compras, pastas,
e a cabeça cheia de contas,

passam por nós sempre atrasados
até encontrá-los aveceizados,
presos à cadeira de rodas.

Mas tem uns que passam
tão rápidos pela vida
que não deixam nem rastros
para o poeta pôr no verso.

Vivem tão intensamente
cem anos em cinco
que preferem morrer de tiro
do que viver de tédio.

Estes são como GH,
que fez Clarice 
guardá-los na manga
e livrá-los dos nossos incômodos.
*

sábado, 19 de abril de 2014

CANÇÃO DOS GUETOS # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

+
*****
CANÇÃO DOS GUETOS
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD.
Guetos de Roma
Hanói, Formosa
Pequi, ou de la Habana Vieja
Y sus "desintegrados"
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD.
Guetos londrinos
Bem à margem do Buckingham
Guetos germânicos
De Bonn ou Berlim
Divididos em "Òssis e Véssis"
Cada um velando
em seu umbigo
o ovo da serpente
MADE IN GERMANY
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD.
Guetos da Bolívia
E seus índios "cocaleros"
Da tribo Quéchua,
Guetos do Peru
E seus guerrilheiros
Sem sendeiros luminosos
Para TUPAC AMARU,
Guetos da Venezuela
E seus caracazos bolivarianos
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD
Guetos dos guetos amarelos
Brasilverdesifilíticos
Gonorrêicos que não lhes quero
Assim do Oiapoque ao Chuí
Das palafitas ribeirinhas de Manaus
Cheias de prostitutazinhas meninas
Vendida por seus próprios pais
A caftens made in europe
Às margens das trans...amaz
Ônicas de meninos e meninas ao relento
Nas praças da república
De suas megacapitais
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD

Guetos de São Paulo
Dos casarios miseráveis
De tábua e zinco
Das zonas norte
Desnorteadas pro
Sul leste oeste
Que apesar dos pontos cardeais
Que os atritam
Nenhum cardeal
Nos deixam em paz
Nos seus sermões dominicais
YO LOS HABLO HERMANOS
ACÁ TAMBIEN HAY APARTHEYD
Guetos do Rio de Janeiro
De tontas maravilhas
De janeiro a janeiro
E cariocas brejeiras
De cartão postal
De Chapéu Mangueira
E Pavão Pavãozinho
Vidigais e Vigários Gerais
Onde a palavra FAVELA
Fala a língua do "bigode grosso"
Pela graça da mordaça
De tantos COMANDOS
Há que buscar uma linha
Mesmo que seja vermelha
Mesmo que seja amarela
Ainda que seja anêmica
Para juntar tantas
Rocinhas Morros das Viúvas
Ladeiras dos Adeuses
Baixadas e Jardins Catarinas
Contra tantos opressores.
Pero hermanos
Hablar no me basta
Como no me basta
Llorar los hermanos caídos
Pois para poner fin
A tanto apartheyd
HAY QUE ENSUCIARSE LAS MANOS!
***

sexta-feira, 18 de abril de 2014

LÍNGUA DE MEL * ANTONIO CABRAL FILHO + RJ

+
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Pátria da língua
ou língua da pátria
não quero saber,
não me importa
a nacionalidade da língua
e sua pátria muito menos.
Eu só quero a linguada,
a lambida sedosa
que me faz arrepiar
e arranca o gozo
com jorradas e urros.
Sem essa de minha pátria
é minha língua que nada,
se ela não tem 
um orgasmo pra mim,
só me interessa o boquete.
***

quarta-feira, 2 de abril de 2014

DORIVAL CAYMMI 100 ANOS # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

 Amigos, em 30 de Abril próximo
DORIVAL CAYMMI
completa 100 ANOS DE NASCIMENTO.
Vamos homenageá-lo!
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EMBOLADA À CAYMMI

Caymmi que me perdoe,
mas cantar só a Marina
é um erro imperdoável,
é deixar todas as outras,
mulheres tanto que são,
numa secura asiática.

Não precisa ser Dom Juan,
pra visitar à surdina 
somente as escolhidas
ou Bandido da Luz Vermelha
e cobrar a peso de ouro
o orgasmo sorrateiro
das suas vagabas paulistas,
nem dar uma de Vinícius
e classificar de feias
todas que não "pegou",
ou fazer como Drummond,
para amar somente as sonsas
no escurinho dos cinemas.
Muito menos esnobar,
como fez Manuel Bandeira,
que se amarrou em Tereza
e nas horas mais soturnas
fazia visitas secretas
à Rosa de faces lívidas
e quando ela adormecia
seu sono de querubim,
Bandeira corcovinava,
lépido qual uma lebre,
pela Mem de Sá a fora, 
cruzava a Frei Caneca,
quebrava na Carmo Neto
e ia findar no Mangue,
onde ele se realizava
nos braços de Colombinas,
Leninhas, Brigites e tais
do seu mundinho privê.
Mas logo que se fartava,
fazia o caminho de volta
pra fastiar-se na Lapa,
quiçá nos braços de Irena
n'algum daqueles becos
que rondam a velha igreja
de Nossa Senhora do Carmo,
e, quando o dia raiava,
Bandeira se recolhia,
sem sorriso de Arminda
nem carinho de Isabel
e se punha a construir
sua nova canção do beco,
sem beijo nem lembrança
do frustrado amor de antonia.

Mas Caymmi que me perdoe,
cantar somente a Marina
é um erro imperdoável!
***
CAYMMÓPOLIS

Até bem pouco, eu
ouvi Caymmi dizer
" Vou pra Maracangalha,
eu vou", como ouvi
Manuel Bandeira confessar
"Vou-me embora pra Pasárgada".

Maracangalha, era pra mim,
algo assim como um tipo
de refúgio secreto
à Colônia Cecília
ou mesmo uma Shangri-lá,
coisas do imaginário anarquista
ou de cristão jesuíta
caçador da Terra Prometida,
ou quem sabe ainda
de algum consumidor de lsd.

Mas esse estado lisérgico
durou só até eu dar de cara
com a foto panorâmica
da Praça Dorival Caymmi
cheia de bancos, jardins,
arquitetura nyemaieriana
e usinas de açúcar.

Gelei, mas caí na real.
Maracangalha não é utopia
e, por incrível que pareça,
é uma cidade da Bahia.
***

quinta-feira, 27 de março de 2014

SOBRE METÁFORAS # Antonio Cabral Filho - RJ


Falar por metáforas
é discursar para ouvidos moucos,
é como ranger os dentes
para esconder a vertigem,
é o mesmo que agachar
e virar o rosto de lado
gemendo de suar frio
e fazer as necessidades 
à frente de todo mundo,
morto de vergonha,
até esvaziar as tripas,
como bem faz a natureza
desde priscas eras...
*

sexta-feira, 21 de março de 2014

PERIGO ATENÇÃO # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

-internet-
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                                                                                  civilizado
                                                                                  cristão
                                                                                  ocidental

                                                                                  cristão
                                                                                  ocidental 
                                                                                  civilizado

                                                                                  ocidental
                                                                                  civilizado
                                                                                  cristão
                                                                                   
                                                                                   pobre do cão
                                                                                   correndo atrás
                                                                                   do próprio rabo

                                                                                   socorro
                                                                                   granada
                                                                                   pelo amor de Deus

                                                                                   mil vezes a morte
                                                                                   a ser civilizado
                                                                                   ocidental cristão

quarta-feira, 12 de março de 2014

DISCIPAÇÃO # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

A palavra
diz de si
sua parte 
de ação

A cerração
serra
           erra
era ração
sobre as colinas
véu de neblina
a obstar o tempo

Desatino
des
       afino
do amanhecer
contra
              o sol
no seu voo
de asas 
infinitas
des
cor
tin
and
o horizontes

domingo, 9 de março de 2014

GRAVATA DE QUINTANA # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

-paigoogle-

GRAVATA DE QUINTANA

Quintana empaca meu verso
mas eu puxo-lhe a gravata
e ele ri seu risinho besta
cheio de desdém
pelas coisas deste mundo,
mas sem largar
a desgraça do cigarro.

Intimo-o a não rir de mim
mas sem dar-me nenhuma atenção
mantem-se concentrado em seu vinho
sem descuidar com o olhar
atento para surpresas
que eu possa aprontar-lhe
até que desata a rir mais ainda
e desfaz-se o nosso entrevero
como se defraudasse 
a bandeira colorida
dos seus sonhos infantis.

Mas novamente puxo-lhe a gravata
e não mais encontro Quintana,
só o vaquo da mesa vazia,
o salão da adega em silêncio
e o jornal à minha frente
com a notícia repentina...

Quintana decola
do aeroporto moinho de ventos
rumo ao seu mundo de estrelas
onde pretende esquecer de tudo
e passar o resto da eternidade
puxando perna de grilo
e beijando Brunas Lombardis.
***

quinta-feira, 6 de março de 2014

QUINTAN ' ESSÊNCIAS # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

-internet-
*
Não consigo imaginar 
Quintana chorando,
cortando soluços sentidos
a não ser lágrimas
de extrema alegria
para lavarem suas faces
queimadas pelo arco-íris,

pois a palavra Quintana
sugere criança brincando
alheia a tudo
imune a qualquer risco
longe desta vida

de direitos e deveres
de ordens e obediências
reduzidas a números e papéis,
aliás como Quintana sempre quis.
*

terça-feira, 4 de março de 2014

PARAÍSO QUINTANA # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

-quintanaparasempre-
*
Dizem os abduzidos
que ao chegar ao paraíso,
tão bestunta quanto sempre,
Mário Quintana estacou,
pregou na nuvenzinha
que lhe servia de tapete,
e ficou abestalhado
com tanta beleza,
tanta alegria, tanta paz,
que até esqueceu de sair do lugar,
sem dar um passo sequer
e que um anjo louro,
louro louro muito louro,
aterrissou ao seu lado
pegando-o pela mão
e saíram voando, voando,
de início a meia altura
para logo em seguida,
seguros de voos mais altos,
estenderem suas asas
e ganharem outros ventos...

Coisas de abduzidos...
e dizem que Mário Quintana
pensou em perguntar ao anjo
que parque era aquele,
lá embaixo, bem ao centro
de todo aquele paraíso,
mas como o anjo fosse leitor de pensamentos,
foi logo explicando
que era o Parque Mário Quintana,
onde crianças e poetas
se exercitam nos versos
bem ao olhos das musas
e que as suas lhe aguardavam ansiosas
para ouvirem os versos seus.

E ao notar insegurança
nos olhos tímidos do poeta
em perguntar por Bruna Lombardi,
o anjo se adiantou informando
que ela enviara todas suas semelhantes 
enquanto se desvencilhava de seus encantos terrenos.

Segundo os abduzidos,
Quintana vive cercado
de musas e discípulos
exercitando seus encantos
lá nos palcos do paraíso,
bem alheios à realidade.
Mas
quem
diz
são os
abduzidos!
*

sábado, 1 de março de 2014

QUATIDIÁRIO # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

-internet-
*
QUATIDIÁRIO

Senhor,
na escacez de todo dia
com a anarquia da floresta sem lei,

dai-me,
se não o leão de cada dia,
serve
a capivara extraviada
ou a queixada valente
ou a paca distraída
ou o tatu comendo meu milho
ou até uma cotia sem manada,

quiçá um quati
para o pirão
pelo menos por hoje,
que lá em casa
tem nove bocas
secas por um caldinho.
*

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

NADA MAIS QUE SOLIDÃO # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

internet
*
O poeta vai à sacada
e lança os olhos à rua,
seco de novidades,
de algo que ressuscite
a sua alma
exaurida em solidões,

e só após um longo tempo
olhando para a rua
com seu olhar andarilho
se toca de que ela está deserta,
tão deserta quanto a alma do poeta,

sem ninguém sentado ao meio-fio
ao lado de alguém a postos
para ouvir-lhe as abobrinhas,

sem as  levas de crianças
naquele corre-corre nervoso
do pique-esconde, do pique-parado
ou do foge-foge da molecada
que lá vem pai, mãe, sei-lá-mais-quem,
abedunhar o que estão fazendo...

sem nenhuma roda de alterocopitas
concentrados no objeto de adoração,
absortos no mundo de Dioniso,
até verem o olhar frio de Tânatos
lá no fundo dos copos,

mas para quebrar o gelo,
surge um cão perambulando,
meio que perdido, ziguezagueando,
farejando a esmo
pra despistar-se de si mesmo,
até que um gato camuflado
na turbidez sob um carro
salta sobre ele
e a madrugada pega no tranco.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

CAROLINA MARIA DE JESUS EM TROVAS # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

internet
*
CAROLINA MARIA DE JESUS EM TROVAS
HOMENAGEM AO SEU CENTENÁRIO
1
Carolina, de nascença,
é Maria de Jesus,
sem saber qual a sentença,
carregou a sua cruz.
2
De nascença, foi bastarda,
mas foi seu SÓCRATES NEGRO
quem mostrou-lhe quantas jardas
anda quem não paga arrego.
3
Muito cedo foi pra lida,
suar o sal do seu pão
e conhecer esta vida
nos palcos da exploração.
4
Primeiro, aturou madame,
aguentando humilhação,
mas viu tanta coisa infame,
que virou arribação.
5
Foi fazer do dia-a-dia
pelas vias da cidade
templo de filosofia,
sem implorar caridade.
6
Trabalhou de sol a sol,
como faz o garimpeiro,
mas a pepita maior
foi o seu berço primeiro.
7
Foi pessoa de respeito,
erguendo alto seu pejo,
guardou as mágoas do peito
no seu " Quarto de despejo."
8
Mas Carolina é Maria,
inspiração de Jesus;
a "Casa de Alvenaria"
veio aliviar a cruz.
9
Passou por muitos percalços,
mas nada sujou seu nome;
nem a força dos fracassos
nem os "Pedaços da Fome."
10
Irradiou seus "Provérbios"
no "Diário de Catita",
sem ligar a lei dos verbos
à lei da sua desdita.
11
Da Sacramento mineira
para a "Canindé paulista",
Carolina foi guerreira
metendo a cara na pista.
12
Sempre foi mulher solteira,
mãe à suas próprias custas;
como não foi a primeira,
fez para si leis mais justas.
13
Carolina de Jesus,
Maria livre de laço,
foi livre porque faz jus
ao seu quatorze de março.
14
Carolina proletária,
Maria de Jesus é
também revolucionária
pelas letras de Tomé.
15
Carolina e Castro Alves
trazem bandeira no mastro:
Coincidem nos entraves
e no quatorze de março.
16
Mas Carolina é demais,
extraiu seu pão da rua
e quanto mais ela sua
mais crê naquilo que faz.
***

domingo, 16 de fevereiro de 2014

COMBOIO MINEIRO # ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

(Antonio Cabral Filho)
***
O comboio de caminhões
vai subindo a Serra do Paiol
e só se ouve o ronco dos motores

ronco triste
soluçante
como quem
chora escondido

e por onde passa o comboio
vai ficando uma nuvem
de poeira vermelha

subindo
e se espalhando
com o vento
como se fosse sangue em pó
tingindo o céu de rubro
em prenúncio de tragédia

Dizem que era um comboio
da polícia mineira
com ordens do Magalhães Pinto*
de prender caipiras subversivos
que vivem de fazer sindicato
nas clareiras da floresta
mas sussurram à boca miúda
que os caipira oh

* - Magalhães Pinto, foi um dos cabeças do extinto Banco Nacional e governador do Estado de Minas Gerais, a serviço da ditadura militar.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

COISAS DE CÃO TRAQUINA * ANTONIO CABRAL FILHO - RJ

*
O cão ia pela rua,
a passos firmes
em ritmo acelerado,
como quem vai
a um compromisso.
Súbito, estacou,
olhou para um lado
e para o outro,
farejando o ar,
como que para certificar-se
de alguma coisa.
Andou mais alguns metros,
completando um círculo,
sempre examinando tudo em volta;
levantou a perna e mijou.
Depois, esticou-se todo,
arranhando o chão com as unhas
e seguiu viagem.
Foi aí que o mendigo Garrafinha
percebeu que o cão
tinha mijado no seu pé,
para algazarra da molecada.
*